A internet como praça pública da inquisição contemporânea

Image source: CA Technologies Blog

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By Gabriel Vieira Mandarino e Tiago Zortea.

Quando lemos um texto ou assistimos um filme cujo conteúdo traz elementos da santa inquisição nos sentimos horrizados. É absurdo pensar que (muitas) pessoas foram severamente punidas e mortas em nome da moralidade religiosamente instituida durante a idade média. A obra de Edgar Alan Poe “O poço e o pêndulo” (transformada em filme em 1991) mostra cenas aterrorizantes daquilo que aconteceu na “idade das trevas”. Geralmente culpamos (em parte com razão) a Igreja Católica por tais eventos. Mas vale também lembrar o papel do povo nas praças públicas. Conversas pelos corredores sobre a vida alheia, denúnicas ao tribunal da santa inquisição, a assistência massiva às punições e mortes em praças públicas exaltavam a soberania da instituição religiosa e afirmavam os valores morais ali determinados. Talvez esta não seja uma realidade distante ou já não mais inexistente. Uma análise um pouco mais minuciosa sobre alguns acontecimentos recentes na internet talvez nos mostraria uma nova praça pública, com novos sistemas de punição e com poder de alcance incomparavelmente maior.

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So What is Mental Health if it is all Contextual and External?

Texto imprescindível de Bernard Guerin a qualquer um que queira entender mais sobre “saúde mental” na modernidade.
[Dificuldades com inglês? Use o Google Tradutor! Não é perfeito, mas dá pra entender a maior parte!]

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I will try to set out how I now see ‘mental health’ in the context of everyday living but when we include the changes that have occurred in modernity.  The way we now ‘talk about mental health’ becomes a modern phenomenon, which is probably something Foucault was saying many years ago in a different way.

(You will need to be patient until Points 18 and 25 though.  I hope I will be able to say this all much better when it comes time to put it into the new book.)

  1. In life there are always problems and conflicts, and almost all can be traced to scarcity of resources, if resources are thought of in a complex and nuanced way and not simplistically. Because most of our resources come through other people, most of our life problems arise in our social contexts. Most problems are interpersonal.
  2. For most of these problems…

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Behaviorismo: rir ou levar a sério?

Arley Costa

“Considero minha história com a Análise do Comportamento algo, no mínimo, engraçado. Ao entrar no curso de psicologia na Federal do Espírito Santo, eu estava ávido para conhecer, para entender aquilo que até então eu chamara de “psique humana”. No primeiro período – na disciplina de introdução às teorias psicológicas – tive, assim como todo estudante de graduação, o primeiro contato com as psicologias. Naturalmente umas foram exaltadas, outras transformadas em piada. Dentre as escolas que nos faziam rir, de tão ridículas, e estarrecer, de tão absurdas, reinava o Behaviorismo. Skinner, Watson e Pavlov eram praticamente a mesma pessoa. Na época, meu senso crítico era quase inexistente, e tal como dizia Schopenhauer em 1830, “sim, não existe ideia, por mais absurda que seja, que as pessoas não tomem como suas com tanta facilidade e tão logo se convençam de que tal coisa é adotada de maneira geral”, e lá estava…

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10 artigos teóricos sobre análise do comportamento para desbanalizar o banal

10 artigos que vão sacudir as certezas behaviouristas radicais! Confira!

Questão de acaso

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Pesquisa conceitual, pesquisa filosófica, pesquisa histórica, levantamentos bibliográficos: não é incomum que essas diferentes modalidades de pesquisa sejam todas referidas como “pesquisa teórica”. Alguns reclamariam a distinção entre as duas primeiras, argumentando que pesquisa conceitual necessariamente lida com formulações operacionalizáveis, compromisso que, em tese, não precisaria ser assumido pela segunda, cuja função incluiria, por exemplo, discutir o próprio valor do operacionalismo para a ciência. Outros diriam que levantamentos bibliográficos não constituem, por si só, uma modalidade de pesquisa, mas apenas uma estratégia preliminar para outras pesquisas, factuais ou teóricas. E isso em diferentes ciências, sociais ou naturais.

No caso da análise do comportamento, a expressão “pesquisa teórica” poderia soar especialmente vulnerável, dada a crítica de B. F. Skinner às teorias, por exemplo. Mas foram justamente algumas pesquisas teóricas que mostraram que tal crítica endereçava uma forma específica de teoria: parece fazer pouco sentido sustentar que a análise do comportamento se…

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Insaciabilidade: inimiga ou aliada da sustentabilidade?

Humanos insaciáveis. Eis uma proposta interessante para se analisar os problemas relacionados à sustentabilidade.

Excelente texto! Vamos ler?

Boletim Behaviorista

insaciabilidade1

Como lidar com bilhões de pessoas insaciáveis num mundo de recursos finitos? Essa é uma questão que tem preocupado economistas, cientistas políticos e ambientalistas contemporâneos. Antenados com essa preocupação, alguns analistas do comportamento também têm se esforçado para contribuir, por meio de pesquisas factuais e conceituais. Exemplo disso é o interessante trabalho conceitual de Lyle Grant, da Athabasca University, publicado em 2014 pela Behavior and Social Issues, sob o título de Insaciabilidade: parte do problema ou parte da solução?

(In)saciabilidade tem sido tema candente em debates sobre sustentabilidade, porque muitos indicam o consumismo como o vilão responsável por problemas como aquecimento global e esgotamento de recursos. Nas palavras de Grant (p. 52), “os produtos de consumo exigem a queima de combustíveis fósseis para a sua fabricação e o seu transporte, de modo que o início da saciedade a esses produtos e ao dinheiro usado para comprá-los poderia diminuir o consumo…

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A “estranha morte” do Behaviorismo Radical

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Longe de estarem mortas, muitas das ideias do Behaviorismo Radical estão no cerne de como conceituamos e aplicamos a ciência psicológica hoje. Este artigo analisa como os pontos de vista do Behaviorismo Radical sobre a construção social da ciência, a evolução, a psicoterapia com base em técnicas mindfulness, a neurociência, a epigenética e as políticas públicas estão realizando um importante papel em nossa sociedade.

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Nietzsche – Para o Ano-Novo

Sempre fantástica a seleção de citações do “Razão Inadequada”. Eis o presente de ano novo!
Um abração e continuamos juntos em 2015.

Razão Inadequada

NIETZSCHEPara o Ano-Novo – Eu ainda vivo, eu ainda penso: ainda tenho de viver, pois ainda tenho de pensar. Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum [Eu sou, portanto penso: eu penso, portanto sou]. Hoje, cada um se permite expressar o seu mais caro desejo e pensamento: também eu, então, quero dizer o que desejo para mim mesmo e que pensamento, este ano, me veio primeiramente ao coração – que pensamento deverá ser para mim razão, garantia e doçura de toda a vida que me resta! Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: – assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas. Amor fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que a minha única negação seja desviar o olhar!…

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Darwin e Skinner II: Anotações sobre Seleção

 

“Em virtude da luta pela vida, qualquer variação, por menor que seja e seja qual for a causa de onde provenha, se for em algum grau proveitosa a um indivíduo de qualquer espécie, em suas relações infinitamente complexas com outros seres orgânicos e com a natureza externa, favorecerá a preservação desse indivíduo, e será geralmente herdada por seus descendentes. Os descendentes também terão, assim, uma melhor chance de sobreviver, pois, dos muitos indivíduos de uma espécie que nascem periodicamente, somente um número reduzido pode sobreviver. Chamei a este princípio, pelo qual cada pequena variação, se útil, é preservada, pelo termo de Seleção Natural, para assinalar sua relação com o poder humano de seleção.” (Darwin, 1859/2004)

“A história presumivelmente iniciou-se, não com um big bang, mas com aquele momento extraordinário em que se deu o surgimento de uma molécula que era capaz de se reproduzir. Foi então que a seleção por consequências surgiu enquanto um modo causal. A reprodução foi, em si mesma, uma primeira consequência, e ela levou, por meio da seleção natural, à evolução de células, órgãos e organismos que se reproduziam sob condições cada vez mais diversas.” (Skinner, 1981). Continue reading

“O gato de Alice, ou algumas razões pelas quais poderíamos ser mais efetivos na difusão da Análise do Comportamento”

Prólogo

Em 2007 estive na VIII Jornada Mineira de Ciência do Comportamento ocorrida na FAFICH (UFMG) entre os dias 1 e 2 de junho. Durante o evento tive a oportunidade de assistir uma conferência sobre disseminação da Análise do Comportamento apresentada pelo Professor João Bosco Jardim, pesquisador do Centro de Pesquisas René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz, profissional de grande importância para a Análise do Comportamento no Brasil. No final de 2013 o encontrei em Londres e tivemos oportunidade de conversar sobre interdisciplinaridade, epidemiologia, saúde pública, e também sobre a expansão da Análise do Comportamento e sua adesão por outras ciências. Após lembrar-me de sua conferência em 2007, o Professor João autorizou a publicação de seu texto aqui no site Comportamento & Sociedade, motivo pelo qual o agradeço imensamente. Passados sete anos após ser proferido em um evento científico, o texto a seguir mantém sua grande relevância para a comunidade analítico-comportamental brasileira, uma vez que traz reflexões imprescindíveis ao processo de expansão da ciência do comportamento e sua adesão por outras áreas do conhecimento.

Para ter acesso ao texto na versão em pdf, clique aqui!

Encontro com o Professor João em Londres, Dezembro de 2013.

Encontro com o Professor João em Londres, Dezembro de 2013.

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Darwin e Skinner I: Anotações sobre variação

Imagem

Polêmicos, controversos, divisores de águas. Perseguidos, rechaçados e muito criticados, Darwin e Skinner possuem várias comunalidades. Um é considerado por muitos o assassino de deus na biologia. O outro, classificado como o frio detonador da mente humana na psicologia. Ao proporem a exclusão das explicações que estabelecem instâncias imateriais como responsáveis pela origem e manutenção da vida e do comportamento, esses cientistas abriram portas para o desenvolvimento de avançados programas de pesquisa que mais tarde trariam grandes benefícios para as ciências naturais, médicas e humanas.

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Para além de fronteiras sociais: Ética, trabalho e solidariedade

Alexandre Dittrich

Ficaria feliz se você tirasse uns três minutos para ler essa reportagem. Há várias lições importantes nela, e acho que algumas delas falam ao espírito natalino.

Jack Andraka, 16 anos, chamou a atenção por ter criado um diagnóstico inovador para o câncer de pâncreas. Ele deu um pequeno depoimento a jornalistas brasileiros. O rapaz vem sendo constantemente chamado para palestras ao redor do mundo, “quase sempre falando sobre inovação e a importância de se estimular o interesse científico nas escolas”. E faz uma pergunta aos brasileiros: “Encontrei vários estudantes brasileiros nas feiras de que participei. Eles têm bastante apoio por lá?”. Temo que a resposta seja vergonhosa para os brasileiros.

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Darwin Terapeuta: Pode a Teoria da Evolução entrar no consultório?

Há uns tempos falamos sobre os níveis de análise para a explicação do comportamento [1]. Cada um desses níveis é dedicado ao estudo de uma parte específica do comportamento, apesar de não ser tão fácil assim separar as variáveis que controlam nossas ações. Mas os esforços em estudar esses diferentes tipos de controle tem sido consideravelmente eficazes. A filogênese constitui-se como nível de seleção de propriedades anátomo-fisiológicas, determinadas respostas do organismo – reflexos incondicionados – a sensibilidade às consequências de comportamentos operantes e a sensibilidade diferenciada a eventos ambientais (Tourinho, Teixeira & Maciel, 2000). Esse tipo de característica fisiológica (denominada por alguns evolucionistas de “causas próximas”) só existe devido às contingências de adaptação evolutiva cujas pressões ambientais (ao longo de milhões de anos) selecionaram tal fisiologia em função da sobrevivência e da reprodução (causas últimas) (Izar, 2009; Wilson, 2008).

Figura 2

Agressividade Humana: Contingências, Filogênese e Evolução*

Memorial Holodomor em Kiev (Capital da Ukrânia)

Memorial Holodomor em Kiev (Capital da Ukrânia)

No inverno de 1932 todos os suprimentos alimentícios na Ucrânia foram confiscados por mando de Stalin e um grande cordão foi criado em torno do país para que ninguém emigrasse. O ditador comunista havia determinado a coletivização das terras ucranianas (um dos maiores produtores de trigo do mundo), e o confisco dos alimentos foi uma reação stalinista à resistência dos camponeses. A fome foi tão grande que os ucranianos foram morrendo vagarosamente em suas próprias casas já que não possuíam mais alimentos e eram impedidos de produzi-los. Neste mesmo ano, a NKVD (“Comissariado do Povo para Assuntos Internos” da URSS) invadiu as casas das pessoas para coletar os corpos dos mortos. Os policiais recebiam 200g de pão por cada corpo que entregavam e, para isto, entravam nas casas e perguntavam “onde estão seus mortos?”. Muitos foram enterrados vivos. Alguns sobreviventes dizem que viam a terra se mexer. Foram documentados até mesmo casos de antropofagia. Em um ano, aproximadamente dez milhões de pessoas morreram de fome na Ucrânia. Este genocídio ficou conhecido como Holodomor, termo que deriva da expressão ucraniana “Морити голодом”, que significa “matar pela fome”. Continue reading

“Ó, vou contar para o seu pai quando ele chegar, hein!”

Picture by Lay Santana

Alguém aí já ouviu esta frase? É típica de algumas mães. Poucas talvez, algum dia não disseram isso! E esta frase evidencia a dificuldade da mãe em lidar com algum comportamento inadequado do filho. É natural que sentenças como essas sejam proferidas em meio à variação comportamental da mãe, quando suas tentativas de cessar as atitudes inadequadas da criança não produzem o efeito desejado, isto é, não são negativamente reforçadas. As coisas começam a complicar quando esta frase se repete. E se ela se repete é porque, em geral, a criança cessou a emissão de seus comportamentos inadequados ao ouvi-la. Quero listar algumas possíveis [1] consequências que podem decorrer do uso de frases como esta.

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