A “estranha morte” do Behaviorismo Radical

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Longe de estarem mortas, muitas das ideias do Behaviorismo Radical estão no cerne de como conceituamos e aplicamos a ciência psicológica hoje. Este artigo analisa como os pontos de vista do Behaviorismo Radical sobre a construção social da ciência, a evolução, a psicoterapia com base em técnicas mindfulness, a neurociência, a epigenética e as políticas públicas estão realizando um importante papel em nossa sociedade.

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Darwin Terapeuta: Pode a Teoria da Evolução entrar no consultório?

Há uns tempos falamos sobre os níveis de análise para a explicação do comportamento [1]. Cada um desses níveis é dedicado ao estudo de uma parte específica do comportamento, apesar de não ser tão fácil assim separar as variáveis que controlam nossas ações. Mas os esforços em estudar esses diferentes tipos de controle tem sido consideravelmente eficazes. A filogênese constitui-se como nível de seleção de propriedades anátomo-fisiológicas, determinadas respostas do organismo – reflexos incondicionados – a sensibilidade às consequências de comportamentos operantes e a sensibilidade diferenciada a eventos ambientais (Tourinho, Teixeira & Maciel, 2000). Esse tipo de característica fisiológica (denominada por alguns evolucionistas de “causas próximas”) só existe devido às contingências de adaptação evolutiva cujas pressões ambientais (ao longo de milhões de anos) selecionaram tal fisiologia em função da sobrevivência e da reprodução (causas últimas) (Izar, 2009; Wilson, 2008).

Figura 2

Agressividade Humana: Contingências, Filogênese e Evolução*

Memorial Holodomor em Kiev (Capital da Ukrânia)

Memorial Holodomor em Kiev (Capital da Ukrânia)

No inverno de 1932 todos os suprimentos alimentícios na Ucrânia foram confiscados por mando de Stalin e um grande cordão foi criado em torno do país para que ninguém emigrasse. O ditador comunista havia determinado a coletivização das terras ucranianas (um dos maiores produtores de trigo do mundo), e o confisco dos alimentos foi uma reação stalinista à resistência dos camponeses. A fome foi tão grande que os ucranianos foram morrendo vagarosamente em suas próprias casas já que não possuíam mais alimentos e eram impedidos de produzi-los. Neste mesmo ano, a NKVD (“Comissariado do Povo para Assuntos Internos” da URSS) invadiu as casas das pessoas para coletar os corpos dos mortos. Os policiais recebiam 200g de pão por cada corpo que entregavam e, para isto, entravam nas casas e perguntavam “onde estão seus mortos?”. Muitos foram enterrados vivos. Alguns sobreviventes dizem que viam a terra se mexer. Foram documentados até mesmo casos de antropofagia. Em um ano, aproximadamente dez milhões de pessoas morreram de fome na Ucrânia. Este genocídio ficou conhecido como Holodomor, termo que deriva da expressão ucraniana “Морити голодом”, que significa “matar pela fome”. Continue reading