É difícil ser um homem.

Photo by Scott Webb © 2015. via Unsplash.

A BBC separou a segunda semana do mês de fevereiro de 2016 para falar sobre saúde mental na série chamada “In the Mind”. Durante a programação normal da emissora pública britânica, diversos especialistas, professores, pesquisadores, pacientes, pessoas da população geral participaram desta campanha cujo motivo principal foi informar sobre as questões referentes à saúde mental e ajudar a reduzir o estigma que cerca o tema ao redor das quatro nações que compõem o Reino Unido. Continue reading

II Encontro de Estudantes Brasileiros de Análise do Comportamento

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A ideia do I EEBA – Encontro de Estudantes Brasileiros de Análise do comportamento – era promover um encontro independente, gratuito, de amplo acesso (houve transmissão ao vivo, e a gravação pode ser conferida na íntegra pelo Youtube), dando espaço a temas variados, de interesse da comunidade estudantil. Foi uma iniciativa colaborativa, que contou com a ajuda de estudantes, profissionais e pesquisadores de diversos grupos e localidades.  Continue reading

Cursos e Workshops Sobre Suicídio e Comportamento Suicida – Brasil 2016

Photo by Austin Ban. © Unsplash.

O índice de mortes por suicídio tem crescido assustadoramente em diversos países, dentre eles está o Brasil. Na última década, houve um aumento de 10% na taxa de suicídios entre jovens de 15 a 29 anos no país. E ao redor do mundo, o suicídio é a segunda maior causa de mortes nesta faixa etária, mostram os dados do último relatório da Organização Mundial de Saúde, publicado em setembro de 2014. Não algo exclusivo desta faixa etária, o comportamento suicida atinge também adultos e idosos. Maiores se apresentam as necessidades de se compreender o fenômeno e delinear métodos mais eficazes de intervenção, tanto no campo do tratamento quanto nas políticas de prevenção.

Durante o mês de Março de 2016, alguns cursos e workshops sobre o tema serão ministrados no Brasil para profissionais de saúde (nas cidades de São Paulo e Vitória) pelo pesquisador de PhD do Suicidal Behaviour Research Laboratory (University of Glasgow, Reino Unido), Tiago C. Zortea. Alguns cursos serão abertos, outros restritos ao alunos ou membros das instituições. Para maiores informações, não hesite em contactar as instituições responsáveis: Continue reading

A internet como praça pública da inquisição contemporânea

Image source: CA Technologies Blog

Image source: CA Technologies Blog

By Gabriel Vieira Mandarino e Tiago Zortea.

Quando lemos um texto ou assistimos um filme cujo conteúdo traz elementos da santa inquisição nos sentimos horrizados. É absurdo pensar que (muitas) pessoas foram severamente punidas e mortas em nome da moralidade religiosamente instituida durante a idade média. A obra de Edgar Alan Poe “O poço e o pêndulo” (transformada em filme em 1991) mostra cenas aterrorizantes daquilo que aconteceu na “idade das trevas”. Geralmente culpamos (em parte com razão) a Igreja Católica por tais eventos. Mas vale também lembrar o papel do povo nas praças públicas. Conversas pelos corredores sobre a vida alheia, denúnicas ao tribunal da santa inquisição, a assistência massiva às punições e mortes em praças públicas exaltavam a soberania da instituição religiosa e afirmavam os valores morais ali determinados. Talvez esta não seja uma realidade distante ou já não mais inexistente. Uma análise um pouco mais minuciosa sobre alguns acontecimentos recentes na internet talvez nos mostraria uma nova praça pública, com novos sistemas de punição e com poder de alcance incomparavelmente maior.

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E quando o psicólogo ou psiquiatra morre… por suicídio?

By Tiago Zortea.

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Talvez este seja o tabu dos tabus. Mas seria isso realmente possível? A própria existência deste texto dissolve qualquer dúvida em potencial. Um assunto delicado que envolve muitas questões, sobre as quais não se discute na formação em psicologia ou em psiquiatria. Se esta discussão existe, no entanto, trata-se então de algo completamente isolado e não-representativo. A máxima do conhecimento popular “médico, cura-te a ti mesmo!” também se estende ao campo da saúde mental, alimentando e mantendo escondida uma problemática que envolve famílias, clientes, alunos, empregadores e colegas. Numa pesquisa sobre a reação dos pacientes frente à morte do psicoterapeuta por suicídio, os pesquisadores estadunidenses Reynolds, Jennings e Branson (1997) encontraram diferentes tipos de manifestação, incluindo a negação do tipo de morte (alguns pacientes se recusaram a acreditar na causa do óbito, atribuindo a este outras causas como acidente automobilístico ou assassinato), reações de raiva e decepção, descrença na psicoterapia, episódios depressivos, e até mesmo ideações suicidas entre os pacientes. Mas o que envolve o suicídio de um psicólogo ou psiquiatra? Continue reading

So What is Mental Health if it is all Contextual and External?

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Texto imprescindível de Bernard Guerin a qualquer um que queira entender mais sobre “saúde mental” na modernidade.
[Dificuldades com inglês? Use o Google Tradutor! Não é perfeito, mas dá pra entender a maior parte!]

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I will try to set out how I now see ‘mental health’ in the context of everyday living but when we include the changes that have occurred in modernity.  The way we now ‘talk about mental health’ becomes a modern phenomenon, which is probably something Foucault was saying many years ago in a different way.

(You will need to be patient until Points 18 and 25 though.  I hope I will be able to say this all much better when it comes time to put it into the new book.)

  1. In life there are always problems and conflicts, and almost all can be traced to scarcity of resources, if resources are thought of in a complex and nuanced way and not simplistically. Because most of our resources come through other people, most of our life problems arise in our social contexts. Most problems are interpersonal.
  2. For most of these problems…

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Suicídio: Observações sobre a tragédia de não mais querer viver

By Tiago Zortea

[Recomenda-se que as notas do texto sejam lidas atentamente]

Essa é uma das questões que talvez menos se cale. Robin Williams nos emocionou tanto nas telas do cinema com obras lindíssimas, pregando o amor, o carinho ao próximo, e o cuidado ao outro como meio de expansão da vida. Na segunda semana de Agosto de 2014, nos chocamos e choramos por sua morte. Morte por suicídio. A pergunta “por que?” permanece. Ecoa em alta voz, cuja continuidade nos perturba e nos assusta pela ausência de uma resposta imediata. Equivalentemente, uma pessoa morre por suicídio [1] a cada 40 segundos em algum lugar do planeta [2]. Nas palavras dos pesquisadores Katie Dhingra, Daniel Boduszek e Rory O’Connor num artigo publicado em Julho de 2015 [3]:

“De fato, o suicídio é responsável por mais mortes a cada ano do que todas as guerras e outras formas de violência interpessoal juntas – significando que há maior probabilidade de morremos pelas nossas próprias mãos do que pelas mãos de outra pessoa [OMS, 2014].”

Veja no diagrama abaixo alguns dados do relatório sobre suicídio publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em Setembro de 2014 [2].

WHO's information

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Behaviorismo: rir ou levar a sério?

Arley Costa

“Considero minha história com a Análise do Comportamento algo, no mínimo, engraçado. Ao entrar no curso de psicologia na Federal do Espírito Santo, eu estava ávido para conhecer, para entender aquilo que até então eu chamara de “psique humana”. No primeiro período – na disciplina de introdução às teorias psicológicas – tive, assim como todo estudante de graduação, o primeiro contato com as psicologias. Naturalmente umas foram exaltadas, outras transformadas em piada. Dentre as escolas que nos faziam rir, de tão ridículas, e estarrecer, de tão absurdas, reinava o Behaviorismo. Skinner, Watson e Pavlov eram praticamente a mesma pessoa. Na época, meu senso crítico era quase inexistente, e tal como dizia Schopenhauer em 1830, “sim, não existe ideia, por mais absurda que seja, que as pessoas não tomem como suas com tanta facilidade e tão logo se convençam de que tal coisa é adotada de maneira geral”, e lá estava…

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10 artigos teóricos sobre análise do comportamento para desbanalizar o banal

10 artigos que vão sacudir as certezas behaviouristas radicais! Confira!

Questão de acaso

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Pesquisa conceitual, pesquisa filosófica, pesquisa histórica, levantamentos bibliográficos: não é incomum que essas diferentes modalidades de pesquisa sejam todas referidas como “pesquisa teórica”. Alguns reclamariam a distinção entre as duas primeiras, argumentando que pesquisa conceitual necessariamente lida com formulações operacionalizáveis, compromisso que, em tese, não precisaria ser assumido pela segunda, cuja função incluiria, por exemplo, discutir o próprio valor do operacionalismo para a ciência. Outros diriam que levantamentos bibliográficos não constituem, por si só, uma modalidade de pesquisa, mas apenas uma estratégia preliminar para outras pesquisas, factuais ou teóricas. E isso em diferentes ciências, sociais ou naturais.

No caso da análise do comportamento, a expressão “pesquisa teórica” poderia soar especialmente vulnerável, dada a crítica de B. F. Skinner às teorias, por exemplo. Mas foram justamente algumas pesquisas teóricas que mostraram que tal crítica endereçava uma forma específica de teoria: parece fazer pouco sentido sustentar que a análise do comportamento se…

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“Operants” 2015(1) traz polêmica sobre política e o envolvimento da Análise do Comportamento

“Operants” é nome do boletim publicado pela B. F. Skinner Foundation [Fundação B. F. Skinner] dirigido pela filha do bom velhinho – Julie Skinner Vargas. Publicado desde 2007, o material é distribuído gratuitamente para aqueles que subscrevem-se no website da fundação. Algumas das características interessantes do Operants incluem tópicos sobre a internacionalização da Análise do Comportamento, demonstrada através de entrevistas e relatos sobre a área nas mais diversas partes do mundo e, como consequência, a tradução do material para vários idiomas. A língua portuguesa, obviamente, está no meio!

O título do primeiro volume de 2015 é “Hoje nossos correspondentes estão delineando um novo mada da influência de Skinner ao redor do mundo” e traz na capa uma lista de países onde Skinner esteve e ministrou palestras, tais como Irlanda, Escócia, Inglaterra (cerca de 40 vezes), Noruega, Suécia, França (lecionou em francês), Alemanha (lecionou em Alemão – minha nossa, Skinner falava alemão?!), Suíça (lecionou em francês), Tchecoslováquia, Rússia (três vezes e na televisão), Venezuela e México. Enfim, o volume traz entrevistas, reportagens dos correspondentes em diversas partes do mundo, mas… há algo bastante interessante também: um ensaio intitulado “Os discursos políticos da Análise do Comportamento” escrito pelo professor Carlos Eduardo Lopes (Universidade Estadual de Maringá). O ensaio está na seção “reflections” e possui tradução para a língua portuguesa.

carlos lopes_operants

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Insaciabilidade: inimiga ou aliada da sustentabilidade?

Humanos insaciáveis. Eis uma proposta interessante para se analisar os problemas relacionados à sustentabilidade.

Excelente texto! Vamos ler?

Boletim Behaviorista

insaciabilidade1

Como lidar com bilhões de pessoas insaciáveis num mundo de recursos finitos? Essa é uma questão que tem preocupado economistas, cientistas políticos e ambientalistas contemporâneos. Antenados com essa preocupação, alguns analistas do comportamento também têm se esforçado para contribuir, por meio de pesquisas factuais e conceituais. Exemplo disso é o interessante trabalho conceitual de Lyle Grant, da Athabasca University, publicado em 2014 pela Behavior and Social Issues, sob o título de Insaciabilidade: parte do problema ou parte da solução?

(In)saciabilidade tem sido tema candente em debates sobre sustentabilidade, porque muitos indicam o consumismo como o vilão responsável por problemas como aquecimento global e esgotamento de recursos. Nas palavras de Grant (p. 52), “os produtos de consumo exigem a queima de combustíveis fósseis para a sua fabricação e o seu transporte, de modo que o início da saciedade a esses produtos e ao dinheiro usado para comprá-los poderia diminuir o consumo…

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Imagine Tecnologia Comportamental

imagine

Imagine um projeto que ajude a introduzir na vida profissional analistas do comportamento recém-formados em psicologia. Imagine que este projeto contribua para o desenvolvimento pessoal daqueles que o contratam e ao mesmo tempo desenvolva repertório comportamental nos profissionais com quem trabalha – tudo de um modo colaborativo, pessoas trabalhando em conjunto! Partindo da ideia de que a Análise do Comportamento possui muitas tecnologias eficientes voltadas para o desenvolvimento de pessoas, os psicólogos Felipe Leite e Lidi Queiroz decidiram dar um passo à frente na implementação deste projeto, a Imagine Tecnologia Comportamental!

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Interconexões entre ambiente, saúde e comportamento humano

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Midiaticamente ouve-se muito e fala-se muito em alterações climáticas, aumento na taxa de emissão de CO2, sustentabilidade e outros temas ecológicos. Aparentemente esses tópicos estão mais relacionados à economia, à política, à geografia e à medicina. Pouco se diz, no entanto, como tais questões afetam o comportamento humano e, consequentemente, a saúde mental e o bem-estar. Incluídos nesses fenômenos socioecológicos estão outros problemas sociais grandes tais como o aumento exorbitante das populações urbanas, e o impacto dos produtos químicos denominados “antropogênicos” (resultantes da manipulação e produção humana) sobre o planeta.

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A “estranha morte” do Behaviorismo Radical

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Longe de estarem mortas, muitas das ideias do Behaviorismo Radical estão no cerne de como conceituamos e aplicamos a ciência psicológica hoje. Este artigo analisa como os pontos de vista do Behaviorismo Radical sobre a construção social da ciência, a evolução, a psicoterapia com base em técnicas mindfulness, a neurociência, a epigenética e as políticas públicas estão realizando um importante papel em nossa sociedade.

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César Rocha: “Eu era um comportamentalista muito quadradinho”

Mestre em Psicologia, amante de cinema, literatura e filosofia, César, aos 26 anos, cursa atualmente seu doutorado pela Universidade Federal de São Carlos. Apesar de bastante jovem, já possui uma trajetória marcante na Análise do Comportamento no Brasil, sendo um dos responsáveis pela criação do notável “Boteco Behaviorista” (programa online de divulgação científica), e do primeiro Encontro de Estudantes Brasileiros de Análise do Comportamento. Dono de opiniões muito bem delineadas, César aponta com precisão suas referências e as bases que alicerçam sua construção intelectual. Em uma conversa informal, fala de sua trajetória profissional e acadêmica, das questões que permeiam suas visões política e filosófica, além de discorrer sobre cinema, literatura e as experiências que marcaram sua formação como analista do comportamento. Com a palavra, César Antonio Alves da Rocha!

cesar

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“Você está muito cansado hoje. Deixe para amanhã!”

“Deixe para amanhã o que você poderia fazer hoje” é o lema da procrastinação. Muito além de algo restrito à infância, procrastinar é um comportamento emitido por quase todos, em diversas circunstâncias da vida. Ninguém está livre de procrastinar. Adiar tarefas por serem aversivas em prol de reforçadores (negativos!) imediatos pode se configurar como contingência armadilha e montar uma bomba a explodir em algum momento futuro.

Pensando nessas questões, a designer Melina Pierro escreveu dicas e pontos muito interessantes que podem ajudar na luta contra a procrastinação e ainda sobre métodos de como aprender, com base no conteúdo do curso “Learning How to Learn: Powerful mental tools to help you master tough subjects” oferecido pelo Coursera. Isso tudo em quadrinhos! Clique aqui ou na imagem abaixo para ler! Vale super à pena!

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