A ciência do comportamento suicida e os efeitos de “13 Reasons Why”

By Tiago Zortea.

Em 2014, logo após a trágica morte de Robin Williams, diversas reportagens inadequadas  explodiram ao redor do planeta sobre o caso. Devido a isto, escrevi o texto “Suicídio, Mídia e Epidemia”, explicado brevemente sobre o efeito Werther. No fim de março deste ano, a Netflix lançou a série “13 Reasons Why” ou os 13 porquês do suicídio de uma adolescente. A série é controversa e tem dividido opiniões no público em geral. No campo da ciência do comportamento suicida, no entanto, as opiniões tendem a ser unânimes entre pesquisadores e especialistas sobre os possíveis efeitos negativos da série (e.g., [1], [2], [3], [4]). Preocupados com tais efeitos, instituições como Papyrus [5] no Reino Unido, Headspace [6] na Australia, e a própria Associação Internacional para Prevenção ao Suicídio (ligada à Organização Mundial da Saúde) [7] publicaram notas oficiais sobre a série. O efeito Werther é um fenômeno real e, como demonstrado através das referências na nota oficial da Associação Internacional para Prevenção ao Suicídio, o assunto deve ser tratado com responsabilidade e cuidado. Continue reading

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A internet como praça pública da inquisição contemporânea

Image source: CA Technologies Blog

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By Gabriel Vieira Mandarino e Tiago Zortea.

Quando lemos um texto ou assistimos um filme cujo conteúdo traz elementos da santa inquisição nos sentimos horrizados. É absurdo pensar que (muitas) pessoas foram severamente punidas e mortas em nome da moralidade religiosamente instituida durante a idade média. A obra de Edgar Alan Poe “O poço e o pêndulo” (transformada em filme em 1991) mostra cenas aterrorizantes daquilo que aconteceu na “idade das trevas”. Geralmente culpamos (em parte com razão) a Igreja Católica por tais eventos. Mas vale também lembrar o papel do povo nas praças públicas. Conversas pelos corredores sobre a vida alheia, denúnicas ao tribunal da santa inquisição, a assistência massiva às punições e mortes em praças públicas exaltavam a soberania da instituição religiosa e afirmavam os valores morais ali determinados. Talvez esta não seja uma realidade distante ou já não mais inexistente. Uma análise um pouco mais minuciosa sobre alguns acontecimentos recentes na internet talvez nos mostraria uma nova praça pública, com novos sistemas de punição e com poder de alcance incomparavelmente maior.

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