“O gato de Alice, ou algumas razões pelas quais poderíamos ser mais efetivos na difusão da Análise do Comportamento”

Prólogo

Em 2007 estive na VIII Jornada Mineira de Ciência do Comportamento ocorrida na FAFICH (UFMG) entre os dias 1 e 2 de junho. Durante o evento tive a oportunidade de assistir uma conferência sobre disseminação da Análise do Comportamento apresentada pelo Professor João Bosco Jardim, pesquisador do Centro de Pesquisas René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz, profissional de grande importância para a Análise do Comportamento no Brasil. No final de 2013 o encontrei em Londres e tivemos oportunidade de conversar sobre interdisciplinaridade, epidemiologia, saúde pública, e também sobre a expansão da Análise do Comportamento e sua adesão por outras ciências. Após lembrar-me de sua conferência em 2007, o Professor João autorizou a publicação de seu texto aqui no site Comportamento & Sociedade, motivo pelo qual o agradeço imensamente. Passados sete anos após ser proferido em um evento científico, o texto a seguir mantém sua grande relevância para a comunidade analítico-comportamental brasileira, uma vez que traz reflexões imprescindíveis ao processo de expansão da ciência do comportamento e sua adesão por outras áreas do conhecimento.

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Encontro com o Professor João em Londres, Dezembro de 2013.

Encontro com o Professor João em Londres, Dezembro de 2013.

“O gato de Alice, ou algumas razões pelas quais poderíamos ser mais efetivos na difusão da Análise do Comportamento”

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João Bosco Jardim

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Em 1981, B. F. Skinner foi a uma reunião da ABA, em Milwaukee, nos Estados Unidos, e fez uma pergunta que continua atual, passados quase 30 anos: – Por que é que somos tão poucos? Por que essa minoria feliz é tão pequena? A história da pergunta de Skinner foi contada por Henry Pennypacker num artigo sobre transferência de tecnologias comportamentais, cinco anos depois. Na época havia uma estimativa segundo a qual só 2% dos psicólogos norte-americanos eram analistas comportamentais. Eu desconheço a estimativa atual, mas hoje a ABA Internacional nos assegura que a análise do comportamento está presente na grande maioria dos estados e regiões da América do Norte, e que prospera e se desenvolve na Europa, Ásia, Oceania, África e América do Sul.

Quem se interessa pela difusão da análise do comportamento terá notado o fato de uma disciplina científica tão marcadamente associada à cultura anglo-saxônica, por muitos considerada tipicamente americana, e com um sem-número de aplicações direcionadas para problemas dos Estados Unidos (a despeito de suas raízes também europeias) ter-se globalizado nas últimas décadas, não só no sentido geográfico, mas também no sentido cultural. Ruben Ardila salientou certa vez esse fato. A mim intriga particularmente, na sua especificidade, a difusão da me-todologia da análise do comportamento por entre um número crescente, embora limitado, de disciplinas. Os relatos que encontro desse desenvolvimento me estimulam a apreciar, admirado, o fato de que há cinquenta anos, quando Murray Sidman lançou o Tactics of scientific research (apenas dois anos depois da fundação do JEAB), a análise de variância era como que o padrão-ouro a ser exigido dos pesquisadores experimentais pelos periódicos de psicologia. Mal se falava em experimentos de caso único, numa época em que os manuscritos da então incipiente análise experimental do comportamento eram francamente hostilizados pelos editores de psicologia. (Por contraste, sou levado a comparar tais relatos com o renitente engessamento metodológico da literatura comportamental na epidemiologia, disciplina de que me ocupo, em parte, na Fiocruz).

Mas, voltando à pergunta de Skinner, quantos seriam os analistas comportamentais, hoje, entre os profissionais e estudantes de psicologia brasileiros? Não sei se alguém já se dispôs a estimar a proporção de analistas comportamentais no Brasil, mas os mais antigos, como eu, podem avaliar o crescimento da análise do comportamento no país evocando relatos de uma ocasião determinante, no início da década de 1960, quando o professor Keller chegou a São Paulo e começou a difundir entre nós o que então se conhecia por análise experimental do comportamento.

Essa difusão, aparentemente exemplar, é um fenô-meno comportamental curiosíssimo para os historiadores da psicologia no Brasil. Muita gente da minha geração já escreveu sobre ela. Um professor americano, trazido à Universidade de São Paulo por sugestão de uma desconhecida estudante brasileira nos Estados Unidos, chega sozinho a um país sem tradição de pesquisa experimental do comportamento, aqui faz contato acadêmico com meia-dúzia de pioneiros paulistas, esses pioneiros adotam a análise do comportamento (ou seja, passam a fazer uso do vocabulário, dos conceitos, dos princípios, do método e dos procedimentos de ensino e pesquisa da análise do comportamento), alguns saem do Brasil para estudar, adquirem fluência e proficiência no repertório comporta-mental da disciplina e, anos mais tarde, difundem em São Paulo e, gradualmente, em outros estados, a ciência que adotaram – vale dizer: influenciam a ocorrência em outras pessoas, nos contextos pertinentes, daqueles comportamentos que eles próprios haviam adquirido, originalmente, por influência dos ensinamentos do professor estrangeiro.

Eu cito esse exemplo brasileiro não só porque ele aguça a curiosidade a respeito da difusão da análise do comportamento na copa-e-cozinha do ambiente acadêmico da psicologia no Brasil, mas também porque me serve de nariz-de-cera para desenvolver o tema desta palestra. Obviamente eu não faço ideia de quantos analistas comportamentais, profissionais e estudantes, há no Brasil. Mas tudo indica que eles sejam também relativamente poucos no conjunto das pessoas que, de alguma forma, lidam com a psicologia em nosso país.

Por que somos poucos? Esta questão, no meu modo de ver, nunca foi adequadamente respondida pelos ana-listas comportamentais, talvez em nenhum país. Eu noto que as tentativas de respondê-la são invariavelmente intuitivas, assistemáticas, e que, no conjunto, tomam como referência contextos variados de análise: ora esse contexto é o mercado profissional privado, ora é o ambi-ente acadêmico, ora é o ambiente decisório nas áreas pertinentes ao comportamento dos cidadãos, em nível de governo.

Richard Malott, referindo-se aos Estados Unidos, su-geriu que a resposta poderia estar no contexto do ambien-te profissional americano: lá as ofertas de emprego (aca-dêmico ou outro) para analistas comportamentais são escassas e há muito poucos analistas comportamentais para expandi-las. Malott não se esquivou de uma inter-pretação em termos contingenciais: ao concluir a forma-ção universitária, disse ele, o aluno deixa um ambiente de contingências sociais reforçadoras da adoção da análise do comportamento para atuar em ambientes profissionais cujas contingências, na maioria das vezes, ou extinguem ou punem tal adoção.

Não seria diferente a situação profissional do analista comportamental no Brasil. Mas, indo além, Malott acrescentou à sua interpretação uma consideração que me parece relevante para o argumento que quero desenvolver. Os analistas comportamentais – disse, lamentando – talvez não sejam suficientemente efetivos para estimular outras pessoas a adotarem a análise do comportamento. Posta desta maneira, ainda que com a devida consideração ao mercado ou a outros contextos de influência, a resposta passa a ser buscada não mais nesses contextos, mas naquilo que os analistas comportamentais eventualmente deixam de fazer para estimular, com a efetividade desejada, a adoção da análise do comportamento e dos seus produtos tecnológicos. Nessa perspectiva, entendo que seria provavelmente mais adequado e promissor perguntar não por que há poucas cabeças, mas por que há comportamentos insuficientemente efetivos, por parte dos analistas comportamentais, para influenciar outras pessoas a adotarem a análise do comportamento.

Podemos ser mais efetivos?

Adoção é comportamento, e os seus determinantes devem ser buscados no ambiente externo, a exemplo de outros comportamentos. Pode-se pensar na difusão como um rótulo conveniente para se designar uma variedade de processos comportamentais de coletivização da adoção. Caracteristicamente, são processos estendidos no tempo, sem localização espacial determinada. O conceito é abstrato, como o operante, mas as condições sob as quais alguém adota alguma coisa são, como o operante, relativamente acessíveis e manipuláveis. O mesmo se pode pensar da difusão.

Nas décadas mais recentes, várias tecnologias derivadas da análise do comportamento têm sido adotadas com êxito em contextos de pesquisa e de aplicação socialmente relevantes, como nas organizações, na educação regular e especial, na medicina, no aconselhamento, na farmacologia, na toxicologia etc. (embora às vezes com omissões aqui e ali, ou com progresso preguiçoso em áreas-chave, como a da saúde coletiva). As adoções acadêmicas parecem influenciadas não só pela efetividade com que a tecnologia atende aos objetivos de um pesquisador, mas também pelo rigor da experimentação controlada, característico da disciplina. Não cabe aqui, portanto, desconsiderar o êxito das soluções tecnológicas da análise do comportamento, ainda que elas sejam aplicadas apenas em contextos específicos e em pequena escala.

Mas eu não posso desconsiderar a impressão de que os analistas comportamentais têm sido bem menos efetivos para difundir o avanço tecnológico da análise do comportamento do que deveriam ser. Pode sempre alguém dizer que os analistas comportamentais fazem o que lhes é possível, mas a trajetória de quarenta e dois anos de aplicação da disciplina mostra que a grande maioria do público eventualmente propenso a adotar as suas tecnologias (professores de diversos níveis de ensino, acadêmicos, profissionais liberais, empresários, gestores de saúde e formuladores de políticas públicas), excetuadas as agências que se dedicam ao autismo nos Estados Unidos, aparentemente não se interessa por elas. No Brasil e em outros países, apesar do êxito mencionado, só muito raramente as tecnologias da análise do comportamento se difundem para além do ambiente acadêmico.

Esse desinteresse foi analisado por Stephanie Stolz, psicóloga comportamental do Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos, em 1981. Haveria, segundo Stolz, um pouco-caso em relação à análise do comportamento entre os profissionais liberais e os formuladores de políticas públicas norte-americanos. Desde a publicação desse artigo tem sido costume atribuir a dificuldade que a análise comportamental encontra para difundir as suas tecnologias a um alegado despreparo da sociedade (leia-se mercado adotante) para apreciar o potencial desse desenvolvimento. O próprio Skinner, com as máquinas de ensinar, Keller com o PSI e Ogden Lindsley com o Ensino de Precisão são sempre citados como vítimas exemplares desse estado de coisas.

Mas ocorre que não há sequer um esforço consistente para a identificação dos públicos que estariam despreparados para adotar a análise do comportamento. Alguns analistas comportamentais (Axelrod, Bailey, Fantino, Johnston, Pennypacker, entre outros) tendem a ser indulgentes para com a aparente insularidade da disciplina, tendo em conta o pequeno progresso alcançado em áreas de pesquisa básica (como escolha e resistência à mudança) que ajudariam a encontrar caminhos para a solução da dificuldade.

Lamentavelmente, as agendas de pesquisa nesse sentido permanecem aquém das necessidades. Steven Hayes, por exemplo, referindo-se à terapia comportamental, critica a lentidão dos profissionais da área no exame de questões empíricas relativas à difusão de tecnologias comportamentais. O problema, no meu modo de ver, se resume no fato de a difusão da análise do comportamento constituir um mundo de pesquisa radicalmente diferente daquele em que os analistas comportamentais estão acostumados a atuar. Mais: sem qualquer experiência anterior de base comportamental que lhes possa ajudar.

Eu me aventuro a comparar a situação dos analistas comportamentais nesse mundo estranho àquela vivida por Alice, a personagem de Lewis Carroll no famoso livro. A relação de Alice com o país das maravilhas é toda empírica, como sabemos, e ela se mostra quase sempre perdida naquela bizarria de personagens e acontecimentos com que se depara nas suas aventuras. Alice não entende bem o mundo em que está, mas tenta seguir adiante da melhor forma que pode. Determinada como é, pede ajuda ao Gato de Cheshire. Ao ver o gato encarrapitado num galho de árvore, ela pergunta ao bichano qual seria o caminho, digamos, mais consensual para sair daquele mundo estranho. Eu suponho que o diálogo seja conhecido de todos:

─ Gatinho inglês, você poderia me dizer, por gentileza, como é que eu faço para sair daqui?
E o gato:
─ Bem, isso depende muito de para onde você queira ir.
─ Para mim tanto faz… Para onde quer que seja, responde a Alice.
─ Bom, se é assim – diz o gato – pouco importa o caminho que você tome.
─ …mas contanto que eu chegue em algum lugar!, explica a Alice.
─ Ah, bom ─ volta o gato. Então você vai chegar lá, com certeza… Se andar muito, vai chegar. Continue andando que você chega.

Em outras palavras, a Alice teria que se virar para encontrar um caminho.

A trilha da análise do comportamento

Sidman observa com propriedade que, a despeito do êxito alcançado em muitos domínios, a análise do comportamento tem logrado pouco progresso teórico e aplicado quando se propõe a influenciar comportamentos para além do nível individual. Quando se está diante de problemas de escala, diz, o que importa considerar é se “um número suficiente de indivíduos muda o comportamento no sentido de favorecer o bem-estar coletivo”. Isto não significa abandonar a ênfase no indivíduo, que vem marcando o êxito da análise do comportamento até aqui; basta considerar, de acordo com Sidman, que os problemas comportamentais não são todos igualmente susceptíveis ao mesmo tipo de solução. É um argumento ponderável quando se pensa na difusão da disciplina.

Surge então outra pergunta interessante: que tal pensar na criação de instrumentos de pesquisa para difundir a análise do comportamento com base em princípios analítico-comportamentais? Na mesma trilha aberta pela análise do comportamento poderíamos encontrar uma variedade de fenômenos comportamentais de natureza social, pertinentes à difusão da análise do comportamento, que não foram ainda devidamente explorados pela tradição analítico-comportamental. Por exemplo, os processos de difusão boca-a-boca, em que a adoção de uma inovação tecnológica passa de uma pessoa para outra por influência de regras verbais, modelação ou consequências remotas. Por essa trilha a análise comportamental pode talvez identificar prospectivamente variáveis de processos de difusão hoje estudadas apenas retrospectivamente por ciências como a economia, a administração e a sociologia. Similarmente, essa trilha pode favorecer estudos longitudinais envolvendo comportamentos sociais de um número maior de pessoas, como quer Sidman, além de ampliar o leque de problemas socialmente relevantes em que a análise do comportamento demonstra potencial para intervir.

A difusão da análise do comportamento põe diante dos analistas comportamentais o desafio de buscar soluções analítico-comportamentais para questões relativas ao reconhecimento público de sua relevância social. Pode-se configurar esse desafio na forma de uma prescrição, uma chamada geral, para se buscar meios de substituir a prática reiterada de se atribuir indiscriminadamente ao despreparo da sociedade ou dos mercados a dificuldade de uma difusão mais efetiva da disciplina. Sintomaticamente, tal prática apenas realça a suspeita de que a difusão da análise do comportamento anda fora do nosso controle. E ainda que a difusão com base em princípios analítico-comportamentais venha a fracassar, o fracasso pode nos dizer mais sobre as deficiências do analista comportamental nesse domínio do que sobre um suposto despreparo dos públicos a quem a análise do comportamento se destina a atender.

Sugiro que formemos equipes de analistas comportamentais de diversas áreas (médicos, educadores, cientistas sociais) para trabalhar no desenvolvimento de modelos de programas de pesquisa de difusão que incorporem esses princípios. Equipes interdisciplinares poderiam desenvolver protótipos de programas, reduzi-los à prática e avaliá-los em termos de efetividade, através de replicações sistemáticas, antes de submetê-los à difusão em escala. Pode-se pensar numa iniciativa de maior envergadura para se alcançar essa sinergia através de uma fundação que levaria o nome de quem mais se preocupou em difundir a análise do comportamento no Brasil, a professora Carolina Martuscelli Bori.

O estudo analítico-comportamental da difusão da análise do comportamento poderia se realizar, nos moldes acima, em vertentes de pesquisa acadêmica e tecnológica, ambas prospectivas. A primeira cuidaria da difusão de aspectos como adoção de material didático, conceitos, princípios, métodos e procedimentos de ensino e pesquisa em universidades e instituições de pesquisa. A segunda se dedicaria a examinar a difusão de tecnologias comportamentais em ambientes profissionais.

Tudo o que é requerido para isto é um ambiente interativo que seja compartilhado por analistas comportamentais interessados na difusão da análise do comportamento, por especialistas em transferência de tecnologias, por pesquisadores sociais de diversas áreas e por profissionais de comunicação. Um esforço interdisciplinar equivalente, visando a difusão ampla da ciência e da tecnologia brasileiras, foi tentado com êxito nos idos de 1982 pela revista Ciência Hoje, no Rio de Janeiro, e, no ano seguinte, pela SBPC, em São Paulo. Generalizando, pode-se antever desfecho semelhante na difusão da análise do comportamento, à medida que a colaboração entre analistas comportamentais e profissionais de comunicação se torne rotina. Pouco a pouco os profissionais de comunicação aprenderiam conceitos, vocabulário e princípios da análise do comportamento e, também gradualmente, os analistas comportamentais adquiririam uma visão mais realista das potencialidades do trabalho mediático na difusão.

A estrutura pouco flexível das disciplinas acadêmicas e das profissões liberais costuma manter os dois tipos de profissionais distantes, na pesquisa e na aplicação. Eu acho isto um erro. A colaboração com profissionais de outras áreas teria certamente impacto positivo na difusão da análise do comportamento. Poderíamos também nos beneficiar do contato com engenheiros, médicos e outros profissionais experientes em transferência de tecnologia. No campo do atendimento à saúde, por exemplo, poderíamos pesquisar melhores técnicas para se estudar a resistência à mudança e, eventualmente, induzir em públicos mais amplos o que se chama, nesse campo, de mudança de estilos de vida. Há, por certo, muitas e óbvias técnicas que podemos compartilhar com não-analistas comportamentais.

Uma tecnologia de difusão de tecnologias

Os recursos financeiros obviamente necessários ao desenvolvimento de uma fundação para a difusão da análise do comportamento poderiam ser buscados nos vários mecanismos de apoio à inovação criados pela legislação que regulamentou a Lei de Inovação, proposta pelo governo anterior e aprovada pelo Congresso Nacional em 2004. Grande parte desse desenvolvimento será centrado na Universidade, embora com um olho no mercado profissional mais amplo. Para concretizá-lo, portanto, é imperativo que as universidades reconheçam e apoiem a difusão como área de pesquisa por direito próprio. Essa perspectiva, no caso presente, pode ser o desenvolvimento de uma tecnologia de difusão de tecnologias comportamentais ─ uma tecnologia que seja replicável e passível de difusão para outras disciplinas, sem compromisso com as exigências da prestação de serviços. A difusão, qualquer que seja, constitui um empreendimento tecnológico comportamental, e precisamos pesquisar uma tecnologia para isto se quisermos ser produtivos nesse domínio.

Hayes adverte que o tom autocongratulário sugerido pela máxima “nós poucos, nós os pouco felizes” denota certa obscuridade quando se leva em conta que as recompensas do empreendimento científico são majoritariamente sociais. Em 1968, Skinner previu que no ano 2000 a análise do comportamento iria prover as técnicas de que educadores, governos e terapeutas iriam precisar para alcançar os seus objetivos. Passaram-se quarenta e dois anos, a análise comportamental aplicada prosperou e se consolidou nos seus domínios, mas a pergunta de 1981 sobre os “poucos felizes” ainda ecoa entre os analistas comportamentais como uma incômoda evidência contrária à intuição futurista do nosso grande mentor. A história mostra que as intuições de cientistas costumam ser úteis numa certa medida, mas já passa da hora de aprendermos a avaliar, pela pesquisa, as sutis peculiaridades comportamentais da difusão de nossas soluções tecnológicas para outros domínios. É através do êxito de tal difusão que concretizaremos as nossas melhores esperanças de tornar a análise do comportamento uma disciplina capaz de ser amplamente reconhecida por seu impacto na sociedade.


Como citar este texto:

APA (6th Edition):

Jardim, J. B. (2007). O gato de Alice, ou algumas razões pelas quais poderíamos ser mais efetivos na difusão da análise do comportamento. In VIII Jornada Mineira de Ciência do Comportamento. Belo Horizonte: FAFICH-UFMG.

ABNT:

JARDIM, J. B. O gato de Alice, ou algumas razões pelas quais poderíamos ser mais efetivos na difusão da análise do comportamento. VIII Jornada Mineira de Ciência do Comportamento, 2007, Belo Horizonte. FAFICH-UFMG, 1-2 June 2007.

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One thought on ““O gato de Alice, ou algumas razões pelas quais poderíamos ser mais efetivos na difusão da Análise do Comportamento”

  1. Excelente texto! Coordeno um projeto de extensão da UFMT chamado “Grupo de Estudos e Difusão da Análise do comportamento”, certamente vou discutir esse material com o novos extensionistas. Temos tido a procura de estudantes de diversas áreas e tentado nos preparar para mantê-los interessados no tema.

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